Há algo curioso, e preocupante, que se repete com frequência no serviço público: a transformação de pessoas logo após assumirem cargos principalmente alto escalão. Não é o cargo em si que muda o caráter, mas ele revela, amplia e, em muitos casos, distorce quem a pessoa realmente é.

De repente, o discurso muda, o tom se eleva e a simplicidade dá lugar à arrogância. Surge um ar de superioridade, como se a função ocupada conferisse mais valor humano, mais inteligência ou mais direitos do que aos demais. O cargo passa a ser confundido com identidade, e a autoridade com importância pessoal.

Nesse processo, amizades antigas, construídas em tempos difíceis, longe dos holofotes, começam a ser deixadas de lado. Amigos de anos são substituídos por companhias convenientes, pessoas que não caminham por lealdade, mas por interesse. São os “amigos de ocasião”: estão perto enquanto o cargo existe, enquanto há poder, influência ou vantagem a ser explorada. Quando o posto acaba, desaparecem sem deixar rastro.

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O mais triste é que muitos se iludem. Acreditam que estão cercados de admiração, quando na verdade estão rodeados de falsidade. O oportunista se disfarça de aliado, mas à distância não é apenas indiferente, torna-se inimigo. Não há verdade, não há compromisso, apenas conveniência.

O cargo político, por mais importante que seja, é temporário. Ele passa. As amizades verdadeiras, não. São elas que permanecem quando não há status, quando não há poder e quando o sobrenome deixa de abrir portas. Quem troca amigos por cargos costuma descobrir, tarde demais, que perdeu o que era mais sólido em troca do que era passageiro.

No fim das contas, o serviço público deveria ser exercício de humildade, não de vaidade. O poder deveria aproximar as pessoas da realidade, não afastá-las dela. Porque cargos acabam, mandatos terminam e títulos são esquecidos. Mas o caráter, esse sim, fica. E é ele que define quem permanece ao seu lado quando tudo o mais vai embora.

FONTE/CRÉDITOS: Portal T7