No Dia Mundial do Diabetes, comemorado nesta sexta-feira (14), a médica da Estratégia Saúde da Família da UBS Parque Verde, em Terra Roxa, Gisela Pieniak, destacou a importância da informação, do diagnóstico precoce e do acompanhamento contínuo para evitar complicações da doença, que é silenciosa e afeta milhões de pessoas em todo o mundo.
Durante entrevista, a médica explicou que o diabetes ocorre quando o nível de açúcar no sangue fica elevado. Isso pode acontecer porque o corpo não produz insulina, que funciona como uma “chave” que permite a entrada do açúcar nas células, ou porque não utiliza essa insulina de forma adequada. Quando isso acontece, o açúcar permanece circulando no sangue, causando danos progressivos ao organismo.
Tipos de diabetes
Segundo Gisela, há diferentes formas da doença:
- Diabetes tipo 1: geralmente surge na infância ou adolescência. Nesses casos, o corpo não produz insulina.
- Diabetes tipo 2: é o mais comum, com forte relação genética e associação à obesidade e ao sedentarismo. Costuma aparecer na idade adulta.
- Diabetes gestacional: ocorre durante a gravidez devido às mudanças hormonais e fisiológicas do corpo da mãe.
- Pré-diabetes: fase de risco em que o nível de glicose está alterado, mas ainda não caracteriza diabetes. “É uma oportunidade de reverter e evitar que a doença se desenvolva”, destacou a médica.
Quem deve fazer o rastreamento?
A recomendação é que todas as pessoas acima de 45 anos façam um exame de glicemia pelo menos uma vez. Caso o resultado seja normal, o intervalo pode ser de até três anos. Porém, pacientes com fatores de risco devem antecipar o rastreio:
- histórico familiar;
- sobrepeso ou obesidade;
- pressão alta;
- colesterol elevado;
- mulheres que tiveram diabetes gestacional.
“É importante procurar o médico da unidade de saúde para avaliar cada caso e definir quando iniciar e repetir os exames”, reforçou.
Sinais de alerta
Mesmo sendo uma doença silenciosa, alguns sintomas podem indicar descontrole glicêmico ou início da doença:
- sede excessiva;
- urinar muitas vezes ao dia;
- perda de peso sem explicação;
- infecções frequentes (urina e pele);
- visão embaçada.
Gisela lembra, porém, que a maioria dos pacientes não sente nada, e é justamente por isso que o acompanhamento é fundamental. “O fato de não sentir sintomas não significa que o diabetes não está causando danos. As complicações continuam evoluindo.”
Complicações e riscos
Quando não controlado, o diabetes pode causar:
- infarto e AVC;
- problemas renais;
- perda da visão;
- feridas que não cicatrizam, podendo evoluir para amputações;
- dormência e formigamento por lesões nos nervos.
Tratamento e cuidados diários
O tratamento envolve medicamentos, entre eles a metformina, mas a médica reforça que hábitos saudáveis são essenciais:
- evitar alimentos ultraprocessados, refrigerantes, açúcar e farinha branca;
- dar preferência a alimentos integrais;
- praticar atividade física.
“Até 10 minutos por dia já fazem diferença”, explicou.
Mitos mais comuns
A médica destacou ainda alguns equívocos que chegam com frequência às unidades de saúde:
- “Diabetes vem só do açúcar.”
Falso. A doença tem múltiplas causas, incluindo genética, estilo de vida e alterações metabólicas. - “Se eu não sinto nada, está tudo bem.”
Errado. O diabetes pode estar avançando sem nenhum sintoma aparente.
Acompanhamento é essencial
Para quem já tem diabetes, o acompanhamento deve ser feito a cada seis meses. Para quem ainda não tem diagnóstico, o ideal é manter o rastreamento regular conforme a orientação médica.
“Cuidar da saúde hoje é evitar complicações graves no futuro. O paciente deve manter o vínculo com a UBS e realizar os exames necessários”, concluiu a médica Gisela Pieniak.

Comentários: