Um novo levantamento das ONGs Terra de Direitos e Justiça Global revelou que a violência política atingiu patamares alarmantes no Brasil durante o primeiro turno das eleições de 2026, tendo as mulheres como as principais vítimas de ameaças e agressões físicas e virtuais registradas até o dia 4 de outubro.

Ao todo, foram mapeados 134 casos de hostilidade em apenas 50 dias de campanha, o que equivale a uma ocorrência a cada nove horas. Desse total, 70 episódios (52,2%) foram direcionados a mulheres, evidenciando a gravidade do cenário para a representação feminina.

A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) ilustra essa realidade ao denunciar graves ameaças de morte e violência sexual. O caso expõe a vulnerabilidade de candidatas que, embora ocupem apenas um terço das disputas, concentram mais da metade dos ataques diretos.

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Subnotificação e o medo de denunciar

Especialistas alertam que os dados reais podem ser ainda maiores. Segundo Gisele Barbieri, coordenadora da Terra de Direitos, muitas vítimas silenciam por medo de represálias e pela falta de respostas rápidas das autoridades policiais, gerando uma subnotificação preocupante.

A maior parte dos registros ocorreu nas ruas, somando 71 casos. No entanto, o ambiente digital também se consolidou como um território hostil de agressões sistemáticas, impulsionado pela ausência de uma regulação eficaz das redes sociais no país.

Escalada em relação a pleitos anteriores

O estudo aponta um crescimento nos índices de violência em comparação ao primeiro turno de 2022, quando foram identificados 121 casos. Durante o período eleitoral de 2026, a frequência das agressões foi cinco vezes maior do que nos períodos comuns sem disputa nas urnas.

A violência simbólica, que engloba ameaças e ofensas, concentrou a maioria das queixas contra mulheres. Das ocorrências registradas, 45 envolveram machismo ou misoginia, nove tiveram motivação racista e dezenove foram de agressões físicas direta.

A questão racial também se destaca nos dados: pessoas negras representaram 44,8% das vítimas. Glaucia Marinho, coordenadora da Justiça Global, ressalta que mulheres negras e pessoas trans enfrentam violências estruturadas pelo racismo e pela transfobia além do embate político.

Entre os estados brasileiros, São Paulo liderou o ranking com 16 ocorrências, seguido pelo Rio Grande do Norte com 13, Minas Gerais com 12 e Rio Grande do Sul com 10 casos registrados de violência política.

FONTE/CRÉDITOS: Portal T7 com EBC