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No dia 7 de setembro de 2026, movimentos sociais se mobilizaram em mais de 50 cidades brasileiras para a 32ª edição do Grito dos Excluídos, uma manifestação nacional que reivindicou moradia digna, reforma agrária e o fim da violência estrutural.
Com o lema focado na defesa da terra, da paz e da soberania feminina, os manifestantes também protestaram contra o racismo, a LGBTfobia e a escala de trabalho 6x1. O ato buscou dar visibilidade às populações historicamente marginalizadas do país.
Mobilização na capital paulista
Em São Paulo, o protesto percorreu as vias do centro histórico e encerrou com uma missa na Catedral da Sé, voltada à população em situação de rua. Antes da caminhada, os organizadores ofereceram um café da manhã comunitário aos participantes.
A ativista Miriam Hermogenes, da Central dos Movimentos Populares, destacou que a verdadeira liberdade social só existirá quando não houver mais pessoas desabrigadas. O coordenador da Educafro, Frei David Santos, reforçou a necessidade de proteger a democracia contra influências econômicas nas eleições.
A violência policial também foi alvo de denúncias. Deuza Cordeiro de Lima protestou pelo assassinato de seu filho Thiago, ocorrido em 2023. Já a manifestante Célia Souza enfatizou que o acesso a uma habitação digna é um direito básico inegociável.
Atos e intervenções artísticas no Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, a marcha ocupou a Avenida Presidente Vargas logo após o desfile oficial do Dia da Independência. O diferencial do protesto carioca foi a presença da Escola de Teatro Popular, que realizou encenações políticas durante o trajeto.
O dramaturgo Julian Boal, um dos coordenadores do grupo e filho do criador do Teatro do Oprimido, Augusto Boal, explicou que a arte serviu para atrair o público e debater que a participação democrática vai além do voto nas urnas.
A luta por moradia ganhou destaque com Ricardo Pitta, coordenador do Movimento Quilombos Urbanos. Ele criticou a subordinação das demandas sociais ao calendário eleitoral e o risco de leilão de prédios públicos que deveriam cumprir função social.
Os manifestantes no Rio também protestaram contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos nacionais, pediram o fim da escala 6x1 e lembraram as vítimas da Ditadura Militar, além de carregarem um globo cenográfico gigante em defesa do meio ambiente.
Durante o percurso, um pequeno grupo tentou hostilizar os manifestantes, mas a Polícia Militar interveio rapidamente, evitando maiores incidentes.
Debate ecológico e social em Brasília
Na capital federal, o Núcleo de Ecologia Integral de Brasília pautou a crise ambiental como uma questão de justiça social e responsabilidade política. A economista aposentada Maria do Carmo de Jesus Botafogo alertou para a urgência de mudar a postura diante do esgotamento dos recursos naturais.
O grupo elaborou uma carta de compromisso ecológico para entregar a candidatos das eleições de 2026. O documento aborda eixos como reforma agrária, gestão de resíduos no Distrito Federal e a proteção da importantíssima Estação Ecológica de Águas Emendadas.
A engenheira florestal Ana Clara Botafogo garantiu que, após o pleito, o documento será entregue a todos os eleitos, cobrando responsabilidade ambiental de forma suprapartidária.
Por fim, a professora universitária Altaci Kokama ressaltou que o evento consolida a voz dos marginalizados, embora enfrente desafios logísticos para garantir o transporte e a alimentação de quem deseja participar ativamente das mobilizações.
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