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A violência contra a mulher ainda é uma realidade preocupante e precisa ser enfrentada não apenas pelo poder público, mas por toda a sociedade. O alerta foi feito pela promotora de Justiça de Palotina, Dra. Cristiane Aparecida Ramos, durante entrevista à Rádio Cultura FM, dentro das ações do Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização pelo fim da violência doméstica e familiar contra a mulher.
Segundo a promotora, apesar de o Brasil contar com uma legislação considerada referência internacional, o país ainda enfrenta números alarmantes de violência contra as mulheres. Ela destacou a importância de falar sobre o tema, romper o silêncio e fortalecer a rede de proteção.
A Dra. Cristiane também lembrou que a Lei Maria da Penha, criada em 2006, completa 20 anos em 2026. Para ela, a legislação trouxe avanços importantes e passou por diversas mudanças ao longo dos anos para acompanhar a realidade enfrentada pelas vítimas.
Durante a entrevista, a promotora explicou que a violência doméstica não pode ser analisada apenas pelo aspecto da agressão física. Ela chamou atenção para o chamado ciclo da violência, que pode fazer com que a vítima tenha dificuldades para denunciar ou até mesmo defenda o agressor.
“Não existe mulher que gosta de apanhar. Ela está presa nesse ciclo de violência, que precisa ser quebrado”, destacou Cristiane, ao defender o acolhimento e o fortalecimento da rede de apoio às vítimas.
A promotora também abordou a necessidade de superar uma cultura histórica de submissão feminina. Segundo ela, muitos comportamentos que eram socialmente aceitos no passado não têm mais espaço na sociedade atual, especialmente diante do princípio constitucional de igualdade entre homens e mulheres.
Cristiane ressaltou ainda que a conquista de direitos pelas mulheres é relativamente recente na história brasileira e que a transformação cultural precisa acompanhar os avanços da legislação.
Leis mais rígidas
Outro ponto abordado foi o aperfeiçoamento da legislação brasileira. A promotora citou mudanças relacionadas ao feminicídio, ao descumprimento de medidas protetivas, à violência psicológica e ao crime de stalking (perseguição obsessiva).
Na avaliação apresentada durante a entrevista, o principal desafio atualmente não é apenas criar novas leis, mas garantir que a sociedade conheça, respeite e cumpra a legislação existente.
Ela também destacou que denúncias de violência devem ser analisadas dentro do sistema de Justiça, garantindo o direito de defesa ao acusado, mas afirmou que não se deve utilizar casos isolados para desacreditar mulheres que procuram ajuda.
Misoginia e redes sociais
A promotora demonstrou preocupação com o crescimento, principalmente nas redes sociais, de movimentos que propagam discursos de inferiorização das mulheres. Ela defendeu que o tema seja debatido de forma ampla e citou os movimentos conhecidos como red pill (pílula vermelha) é o conceito central desse ecossistema: a ideia de que os homens devem “acordar” para uma suposta opressão do feminismo na sociedade moderna). e machosfera (rede digital de fóruns, canais e grupos antifeministas).
Cristiane também se declarou favorável à criminalização da misoginia, mas ressaltou que eventual legislação precisa ser discutida e construída de maneira responsável, evitando a banalização do conceito.
“Não é uma guerra entre homens e mulheres. Nós só queremos que os homens entendam que os mesmos direitos que eles têm, as mulheres também têm”, afirmou.
Banco Vermelho e políticas públicas
A entrevista também abordou o Banco Vermelho, iniciativa de conscientização e reflexão sobre a violência contra a mulher. Para a promotora, a instalação desses espaços representa uma oportunidade para chamar a atenção da população para o problema.
Ela destacou ainda ações desenvolvidas em Palotina, como políticas de apoio às mulheres em situação de violência, incluindo aluguel social e diárias de hotel, medidas que podem contribuir para que a vítima consiga romper com uma situação de violência sem ficar desamparada financeiramente.
Segundo Cristiane, o Ministério Público atua na fiscalização das políticas públicas e, nesse contexto, deve apoiar iniciativas voltadas à proteção das mulheres.
Evento no dia 27
Ao final da entrevista, a promotora divulgou um evento que será realizado no dia 27 de agosto, às 19h, na Câmara Municipal de Palotina, promovido em parceria entre o Ministério Público e a Procuradoria da Mulher.
O encontro terá como tema a misoginia, o movimento red pill e a machosfera, buscando ampliar o debate e conscientizar a população sobre os impactos desses discursos na sociedade.
A promotora reforçou que homens e mulheres estão convidados a participar da discussão e destacou que o enfrentamento à violência contra a mulher depende da participação de toda a sociedade.
OUÇA O PROGRAMA TUDO SOB CONTROLE COM EDUARDO JOTA WHALL E ENTREVISTA COM A PROMOTORA DRA. CRISTIANE APARECIDA RAMOS
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