Vivemos em um país onde a política, cada vez mais, nos leva a perder a fé no ser humano e isso não é somente a nível nacional mas também as vezes em nosso próprio município. Não por ideologia, tampouco por preferências partidárias, mas pela triste constatação de que a dignidade, a do povo e a dos representantes, tem sido negociada por migalhas.
É estarrecedor observar como figuras públicas, que antes foram protagonistas de escândalos, votos vergonhosos, obras não concluídas e desvio de verbas, conseguem retornar ao município como se nada tivesse acontecido. Bastam uns recursos, promessas, uma selfie sorridente ou uma ambulância financiada por emenda parlamentar para que parte da população esqueça, ou perdoe o histórico de destruição que aquele mesmo político deixou para trás.
Mais alarmante ainda é quando esse “lixo”, e aqui o adjetivo não é gratuito, e reconhecido como um dos deputados mais “gastão” do estado, e também de fazer parte de uma família que é proprietária de uma empresa que desviou recursos públicos e não entregou as obras para as quais foi contratada. Sim, estamos falando de dinheiro do povo. E, apesar disso, lá está ele ou muitas vezes os capangas, sorridente, sendo tratado como salvador por aqueles que sequer sabem o tamanho do rombo que ele ajudou a cavar.
Essa é a perversidade mais cruel do sistema: enquanto as elites políticas se reciclam entre escândalos e mandatos, a população, especialmente a mais vulnerável, continua prisioneira de um jogo onde quem oferece o mínimo se torna rei.
Essa inversão de valores corrói as bases da democracia e alimenta o ciclo da mediocridade. Enquanto a política for um espetáculo de marketing e assistencialismo barato, os verdadeiros problemas continuarão intactos. Seguiremos sendo governados não por aqueles que pensam no futuro, mas por aqueles que melhor sabem distribuir migalhas em troca de votos.
Precisamos lembrar: dignidade não é favor. Justiça social não é moeda de troca.
Que possamos, ao menos, não aplaudir os algozes da nossa própria história.