Ser mãe é uma jornada incrível, mas também desafiadora. Desde o momento da gravidez, e principalmente após o nascimento do bebê, um fenômeno comum acontece: os famosos pitacos na maternidade. Avós, tias, vizinhas, amigas e até desconhecidos se sentem no direito de dar conselhos – muitas vezes sem serem solicitados.

"No meu tempo..." – O perigo dos conselhos ultrapassados

Uma das frases mais ouvidas pelas mães de primeira viagem é "No meu tempo, fazia assim e deu certo!". Seja sobre alimentação, sono, cólicas ou até mesmo vacinação, muitas pessoas compartilham experiências como se fossem verdades absolutas.

Publicidade
Publicidade

Leia Também:

O problema é que a ciência evoluiu. O que era recomendado há 20, 30 ou 40 anos pode ter sido revisado e, em alguns casos, até considerado prejudicial. Por exemplo:

Introdução alimentar: Antigamente, era comum oferecer mingau, chá e até leite de vaca para bebês muito pequenos. Hoje, sabemos que a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é o aleitamento materno exclusivo até os seis meses e, depois disso, a introdução gradual de alimentos sólidos saudáveis.

Alimentos alergênicos: Muitos acreditam que oferecer ovo, amendoim ou frutos do mar cedo pode causar alergias, mas estudos mostram que, se introduzidos da forma correta e na idade adequada, podem ajudar a reduzir o risco de alergias alimentares.

Chás e remédios caseiros: Muitos acreditam que chá de erva-doce acalma cólicas ou que colocar mel na chupeta ajuda na digestão. Porém, o mel é proibido antes de um ano de idade devido ao risco de botulismo, e algumas ervas podem ser tóxicas para bebês.

O desafio de se impor sem desrespeitar

Sabemos que, na maioria das vezes, esses conselhos vêm de um lugar de carinho e preocupação. Avós e parentes mais velhos querem ajudar, compartilhar suas experiências e reforçar que "sobreviveram" criando filhos de determinada maneira.

No entanto, os pais de hoje têm acesso a mais informações e fazem escolhas baseadas em estudos e recomendações médicas. Por isso, é importante saber como responder sem gerar conflitos familiares. Algumas frases podem ajudar:

✔️ "Que interessante! Vou conversar com o pediatra sobre isso."

✔️ "Hoje as recomendações mudaram um pouco, mas agradeço o conselho."

✔️ "Eu sei que no seu tempo funcionava assim, mas estamos seguindo o que aprendemos com o pediatra."

 

Se a pessoa insistir, vale lembrar com educação: "Cada mãe e cada bebê são diferentes, estou fazendo o que acho melhor para o meu filho."

Respeito acima de tudo

Se tem algo que toda mãe precisa – além de apoio – é respeito. Ser mãe é uma experiência cheia de desafios, dúvidas e aprendizados. O que menos ajuda é o excesso de palpites e críticas. Cada criança é única, e cada mãe faz o seu melhor com as informações que tem.

Então, antes de dar um conselho, pergunte-se: essa mãe pediu minha opinião? O que eu vou dizer é baseado em informações atuais? Se a resposta for "não", talvez seja melhor apenas apoiar e deixar que ela descubra seu próprio caminho na maternidade.

FONTE/CRÉDITOS: Tiago Centena/Portal T7