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A legalização das bets no Brasil, concretizada em dezembro de 2018, foi impulsionada por uma forte articulação entre legisladores, agentes estatais em busca de arrecadação e o lobby de empresas estrangeiras. Essa é a principal constatação da tese de doutorado do pesquisador Francisco Cláudio Freitas Silva, defendida na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas).
O estudo acadêmico investigou o longo percurso até a validação das apostas de cota fixa. O trabalho mapeou os obstáculos enfrentados diante do estigma histórico associado aos jogos de azar no território nacional e detalhou as estratégias de aproximação internacional com o setor.
Articulações e resistências no congresso
Conforme apontou o pesquisador da PUC Minas, iniciativas anteriores para liberar o mercado de apostas foram bloqueadas em 2014, 2016 e no início de 2018. A união entre frentes parlamentares de esquerda e bancadas religiosas conseguia barrar propostas ligadas a cassinos e jogos.
Contudo, a virada de cenário ocorreu por meio da inserção de emendas em medidas provisórias, prática conhecida no ambiente legislativo como introdução de jabutis. Dessa forma, o tema avançou sem debates aprofundados, priorizando o potencial de arrecadação financeira.
A influência do lobby estrangeiro
Antes mesmo do aval legal, as empresas internacionais já operavam remotamente no país desde o início da década de 2010. A exposição a marcas em clubes e eventos esportivos ajudou a consolidar o mercado digital entre os consumidores brasileiros.
Eventos globais do setor serviram como ponto de encontro entre executivos estrangeiros e autoridades brasileiras. A forte capacidade financeira dessas corporações facilitou o diálogo regulatório e pavimentou o caminho para a aprovação definitiva da atividade econômica.
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