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A Fundação do Câncer lançou neste mês, no Brasil, um alerta crucial sobre o melanoma extracutâneo, um tipo de tumor maligno que se desenvolve fora da pele, como nos olhos e mucosas. O estudo busca conscientizar a população e orientar os serviços de saúde pública para a importância do diagnóstico precoce dessa variação altamente agressiva da doença.
Embora menos frequente que a versão cutânea, essa neoplasia apresenta alta letalidade devido ao elevado risco de metástase. Segundo o boletim Análises e Tendências em Câncer, o tumor pode surgir no olho, em mucosas da cavidade oral e até em órgãos internos dos sistemas digestório e genital.
Para Alfredo Scaff, consultor médico da instituição e coordenador da pesquisa, o conhecimento é a principal ferramenta de combate. Ele aponta que entender a distribuição epidemiológica ajuda a planejar melhor o atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) e a salvar vidas.
Desafios no tratamento e acesso ao SUS
Atualmente, a cirurgia para remoção da lesão é a principal abordagem terapêutica no Brasil, correspondendo a 84,7% dos casos entre 2014 e 2023. No entanto, o acesso ao tratamento revela desigualdades regionais. O Sudeste lidera os procedimentos cirúrgicos iniciais com 89,6%, enquanto a Região Norte registra apenas 64,4%.
O deslocamento de pacientes também aponta falhas na assistência. No Centro-Oeste, mais de 20% das pessoas precisam viajar para receber tratamento oncológico. Outro entrave é o alto custo de medicamentos modernos de imunoterapia, como os agentes anti-PD-1 aprovados pela Anvisa e incorporados pela Conitec.
Scaff defende que a compra centralizada de insumos pelo Ministério da Saúde, associada ao fomento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), poderia baratear as terapias. Atualmente, o alto preço restringe o acesso à imunoterapia para a maioria dos pacientes da rede pública.
Estatísticas do melanoma extrapele e cutâneo
A análise de mais de 42 mil registros hospitalares revelou que 5,7% dos casos identificados eram oculares e 2,5% de mucosa. O melanoma ocular, que somou 993 casos, costuma ser assintomático no início, manifestando-se tardiamente por meio de visão embaçada, manchas visuais ou flashes de luz.
Já o melanoma de pele convencional, embora represente apenas 4% das neoplasias cutâneas, causou 2.047 mortes no país em 2023. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima a ocorrência de 9.360 novos casos da doença para este ano, com maior incidência prevista na Região Sul.
O coordenador de Assistência do Inca, Gélcio Mendes, pondera que novas tecnologias devem demonstrar efetividade e viabilidade financeira antes da incorporação em larga escala. O levantamento completo com todos os dados epidemiológicos pode ser consultado diretamente no site da Fundação do Câncer.
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