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A escalada de violência e ameaças contra aldeias de povos indígenas no Mato Grosso do Sul tem mobilizado o Ministério Público Federal e a Polícia Federal após o fim das eleições presidenciais.
Conforme dados da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), mais de 30 ocorrências violentas foram registradas no estado em decorrência do pleito recente.
Na aldeia Jaguapiré, localizada em Tacuru, a residência de uma rezadeira de 90 anos foi destruída por um incêndio criminoso na última quinta-feira (29).
Além da moradia da idosa, o fogo consumiu artefatos sagrados essenciais para os rituais tradicionais da comunidade Kaiowá e Guarani.
Em pronunciamento nas redes sociais, lideranças locais classificaram o episódio como uma afronta direta aos direitos fundamentais e à liberdade religiosa.
Ameaças e áudios com ataques
O cenário de hostilidade também se manifestou por meio de áudios divulgados na internet logo após o resultado do segundo turno.
Mensagens atribuíam a vitória presidencial ao voto das comunidades e continham sugestões de envenenamento da água que abastece uma aldeia na região.
A prefeitura de Tacuru confirmou que um dos envolvidos nas gravações é um servidor público municipal.
O funcionário foi temporariamente afastado das funções, enquanto um processo administrativo foi instaurado para avaliar sua responsabilidade nos fatos.
Resposta das autoridades federais
Diante da gravidade dos relatos, o MPF-MS abriu procedimentos para verificar a veracidade das acusações e reforçar a segurança nas regiões afetadas.
Enquanto algumas denúncias em Naviraí foram tratadas como boatos, o órgão cobrou providências imediatas da prefeitura de Tacuru em relação aos servidores citados.
O governo federal, por meio da criação de uma força-tarefa interministerial, também passou a monitorar os episódios de violência com o apoio da Polícia Federal.
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