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Após os fortes ventos causarem apagões no Rio de Janeiro e em São Paulo nesta semana, especialistas apontam que a melhoria na rede elétrica exige investimentos significativos das concessionárias de energia em manutenção preventiva e fiação subterrânea.
De acordo com o professor Edson Watanabe, do Programa de Engenharia Elétrica da Coppe/UFRJ, tornar o sistema mais resistente a tempestades é viável. No entanto, as intervenções exigem altos aportes financeiros que precisam ser assumidos inteiramente pelas distribuidoras.
O especialista destaca que medidas como a instalação de fiação subterrânea e a poda regular de árvores reduzem drasticamente as falhas. Apesar disso, ele ressalta que essas ações preventivas ainda são executadas de maneira insuficiente pelas empresas.
Morador do Grajaú, na Zona Norte do Rio, Watanabe enfrentou a interrupção do serviço em sua própria casa. Segundo o docente, a rede aérea sustentada por postes fica extremamente exposta a quedas de galhos e intempéries, diferente de áreas com fiação subterrânea.
Embora os cabos subterrâneos ofereçam maior estabilidade, o custo de instalação pode ser de sete a dez vezes superior ao das linhas aéreas. Além do aporte inicial, a manutenção desse modelo também é mais complexa e cara.
Planos de contingência e prevenção
Por outro lado, Leandro Torres, especialista em desastres da Escola Politécnica da UFRJ, avalia que substituir toda a infraestrutura existente não é viável financeiramente. Para ele, a mudança subterrânea atende principalmente a critérios estéticos e urbanísticos.
Torres argumenta que, embora os cabos subterrâneos fiquem protegidos das rajadas de vento, eles continuam vulneráveis a inundações e furtos. Por isso, a prioridade das concessionárias deve ser a criação de planos de contingência eficazes.
Esses protocolos operacionais devem mapear riscos variados, incluindo tempestades, vendavais, alagamentos e incidentes operacionais. O objetivo é estabelecer respostas rápidas para minimizar o impacto de eventos climáticos extremos, agravados por fenômenos como o El Niño.
Moradores relatam transtornos com a falta de luz
Na prática, a demora no restabelecimento do serviço gera severos prejuízos aos consumidores. A empresária Ana Paula Brito, moradora de Vila Isabel, relatou ter ficado horas sem luz, correndo o risco de perder os alimentos armazenados em sua residência.
Situação semelhante ocorreu com o designer Rico Vilarouca, morador de Santa Teresa, que teve suas atividades profissionais interrompidas pela interrupção de energia e internet. Ele lamentou a falta de preparo da infraestrutura urbana para lidar com ventos fortes.
Em nota, as concessionárias Light e Enel informaram que mobilizaram equipes de emergência para normalizar o fornecimento no estado do Rio de Janeiro. Contudo, milhares de clientes continuam enfrentando desabastecimento.
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