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Uma pesquisa encomendada pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) revelou que sete em cada dez consumidores temem golpes e falsificações na venda de medicamentos pela internet no Brasil. O estudo do Instituto QualiBest ouviu 2.024 pessoas em julho para analisar o comportamento do público diante das recentes mudanças regulatórias do setor.
Do total de entrevistados, 85% responsabilizam diretamente as plataformas de e-commerce pela oferta de remédios falsificados ou sem registro. Além disso, 59% dos participantes relataram medo de adquirir produtos com prazo de validade vencido ou armazenados de maneira inadequada.
Para 82% dos consumidores, as regras para o comércio digital exigem vínculo obrigatório com farmácias autorizadas. A maioria (71%) defende que medicamentos não sejam tratados como mercadorias comuns no ambiente virtual.
Regulamentação e atuação da Anvisa
No mês de agosto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revogou normas que proibiam anúncios de remédios em grandes marketplaces. No entanto, o órgão esclareceu que a medida não autoriza a comercialização direta e imediata nesses canais.
A recente Lei nº 15.357/2026 permitiu que drogarias licenciadas contratem serviços logísticos e de entrega em plataformas digitais. Contudo, essa integração só ocorrerá após a publicação de uma norma regulatória específica pela agência sanitária.
O CEO da Abrafarma, Sérgio Menna Barreto, destacou que a operação online exige controle rigoroso. Segundo ele, a assistência farmacêutica, a rastreabilidade e o transporte adequado precisam ser garantidos prioritariamente pelas empresas licenciadas.
Recentemente, a Diretoria Colegiada da Anvisa aprovou a abertura de um processo administrativo para normatizar a contratação desses serviços. O diretor Daniel Pereira avaliou que a inovação amplia o acesso da população, mas ressaltou a presença de riscos sanitários.
Posicionamento do CFF e do Procon-RJ
O Conselho Federal de Farmácia (CFF) esclareceu que o novo cenário não libera a comercialização desenfreada na rede. A entidade acompanhará o processo para assegurar que apenas a logística das farmácias seja realizada pelas plataformas.
Já o diretor jurídico do Procon-RJ, Silvio Romero, alertou que farmácias e sites compartilham a responsabilidade por eventuais danos ao consumidor. Ele orienta a desconfiar de ofertas com preços excessivamente baixos e a guardar todos os comprovantes de compra.
Infrações como a venda de produtos vencidos ou não autorizados violam o Código de Defesa do Consumidor e estão sujeitas a processos administrativos pelo Procon-RJ.
Perfil do consumidor digital
Apesar dos receios, 95% dos entrevistados afirmam realizar compras online e costumam verificar a reputação do vendedor. Contudo, 69% relatam já ter enfrentado problemas em e-commerce tradicionais.
Na área da saúde, 78% afirmam que a presença de um farmacêutico aumenta a confiança no processo. Para 56% dos consumidores, ainda há dúvidas sobre a quem recorrer em caso de falhas em compras digitais.
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