A produção de chocolate no Brasil segue em ritmo acelerado, consolidando o país como um dos poucos mercados globais a dominar toda a cadeia produtiva, desde o cultivo do cacau até o produto final. Segundo Jaime Recena, presidente da Abicab, a indústria investe constantemente em inovação para atender às demandas de um consumidor cada vez mais exigente e diversificado.

Em 2025, o volume fabricado atingiu 814 mil toneladas, superando as 805 mil registradas no ano anterior. Embora os números consolidados de 2026 ainda não tenham sido finalizados, as projeções da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) indicam a manutenção dessa curva de crescimento.

Potencial de consumo e mercado interno

Atualmente, o brasileiro consome cerca de 4 kg de chocolate por ano. Apesar de expressivo, o índice ainda está distante dos mercados europeu e norte-americano, onde o consumo per capita varia entre 9 kg e 10 kg, sugerindo uma vasta margem para expansão nacional nos próximos anos.

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Mesmo com os desafios logísticos de um território continental, o produto alcança praticamente todos os municípios brasileiros. O setor movimentou R$ 42,5 bilhões em 2025, impulsionado pela busca por chocolates finos e pela demanda constante fora do período tradicional da Páscoa.

Exportações e balança comercial

No campo das exportações, o Brasil enviou 37,8 mil toneladas ao exterior em 2025, alcançando 168 países e gerando uma receita de US$ 210,2 milhões. No primeiro trimestre de 2026, as vendas internacionais já somaram 7,7 mil toneladas, com foco crescente em vizinhos da América Latina e no mercado árabe.

Já a exportação de cacau bruto rendeu US$ 603,1 milhões no último ano. A Abicab destaca que parcerias com a Apex-Brasil têm sido fundamentais para abrir portas a pequenos fabricantes, especialmente aqueles que apostam em produtos com maior teor de pureza e frutos típicos da biodiversidade brasileira.

Geração de empregos e sazonalidade

A indústria vinculada à Abicab sustenta aproximadamente 450 mil postos de trabalho. A Páscoa continua sendo o principal motor de contratações; em 2026, o número de vagas temporárias saltou para 14.558, um aumento significativo em comparação aos 9.946 postos abertos no ano anterior.

Para Recena, o chocolate deixou de ser um item meramente sazonal para se tornar um presente recorrente e um item do cotidiano. Esse novo comportamento do consumidor estimula o lançamento constante de produtos, com mais de 130 novidades chegando às prateleiras apenas no primeiro semestre de 2026.

Fortalecimento da agricultura familiar

A Bahia Cacau, primeira fábrica de chocolate da agricultura familiar no país, exemplifica a valorização da origem. Localizada em Ibicaraí, a unidade produz itens com teor de cacau entre 35% e 70%, agregando valor à produção de assentamentos locais e contribuindo para a preservação da Mata Atlântica.

O setor também celebra avanços regulatórios com a Lei 15.404/2026. A nova legislação, que entra em vigor em maio de 2027, estabelece padrões rigorosos para o percentual mínimo de cacau e exige transparência total nos rótulos, protegendo tanto produtores quanto consumidores finais.

FONTE/CRÉDITOS: Portal T7 com EBC