Uma megaoperação para combater uma organização criminosa suspeita de envolvimento em tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e crimes violentos. A ação é realizada em conjunto com o Ministério Público do Paraná (MPPR) e mobiliza mais de 500 policiais no Paraná, em Santa Catarina e em São Paulo.

Ao todo, são cumpridos 215 mandados judiciais, sendo 95 de prisão e 120 de busca e apreensão. A Justiça também autorizou a quebra do sigilo bancário de contas relacionadas aos investigados e o acesso aos dados de aparelhos eletrônicos apreendidos durante as diligências.

A operação conta com o apoio da Polícia Militar do Paraná, da Polícia Penal do Paraná, da Polícia Civil de Santa Catarina e da Polícia Militar de São Paulo. Cães farejadores também auxiliam as equipes durante as buscas.

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Investigação começou após crimes violentos

As apurações tiveram início em Clevelândia, no Sudoeste do Paraná, após a identificação de crimes violentos atribuídos ao grupo. Entre as práticas investigadas estão tortura, cárcere privado e ameaças contra pessoas acusadas pela organização de desobedecer às suas regras ou de ter dívidas relacionadas ao tráfico de drogas.

Segundo a Polícia Civil, o grupo mantinha uma estrutura organizada para transportar e armazenar entorpecentes, além de controlar pontos de venda em diferentes municípios. As lideranças investigadas negociavam grandes quantidades de cocaína, crack e maconha destinadas à distribuição em diversas regiões.

Ordens partiam de dentro do sistema prisional

Um dos principais avanços da investigação foi a identificação de uma estrutura de comando que, conforme a polícia, funcionava a partir de unidades prisionais.

A análise de dados de celulares clandestinos apreendidos em uma penitenciária do Sudoeste do Estado ajudou os investigadores a rastrear ordens relacionadas aos crimes violentos e a identificar a atuação do grupo em diferentes cidades.

De acordo com a investigação, a organização mantinha uma divisão de tarefas entre seus integrantes, inclusive dentro dos presídios, onde eram estabelecidas regras internas e aplicadas punições físicas contra pessoas consideradas infratoras.

Os investigadores também apuram a participação de colaboradores externos no transporte de drogas e na manutenção da comunicação entre integrantes presos e pessoas que permaneciam em liberdade.

Esquema financeiro também é investigado

Além dos crimes violentos e do tráfico de drogas, a operação busca esclarecer como os recursos obtidos ilegalmente eram movimentados.

Segundo a Polícia Civil, o grupo utilizava transferências via Pix para contas em nome de terceiros, com depósitos fracionados e saques rápidos, numa tentativa de dificultar o rastreamento do dinheiro.

A investigação também identificou uma empresa que seria utilizada para receber pagamentos relacionados à comercialização de entorpecentes. A análise das movimentações financeiras deve contribuir para dimensionar a estrutura econômica da organização.

Mandados são cumpridos em 23 municípios

No Paraná, as diligências ocorrem em 20 municípios: Clevelândia, Pato Branco, Francisco Beltrão, Palmas, Coronel Vivida, Realeza, Santa Izabel do Oeste, Dois Vizinhos, Cascavel, Curitiba, Piraquara, Guarapuava, Laranjeiras do Sul, Capanema, Salto do Lontra, Santo Antônio do Sudoeste, Itaipulândia, Santa Helena, Barracão e Cruzeiro do Oeste.

Em Santa Catarina, a operação ocorre em Abelardo Luz. Já em São Paulo, os mandados são cumpridos em São Carlos e Cotia.

A megaoperação segue em andamento nesta quarta-feira (14). As diligências buscam cumprir as determinações judiciais, reunir provas e identificar os envolvidos na estrutura criminosa investigada.

FONTE/CRÉDITOS: Portal TSete com Polícia Civil do Paraná (PCPR)