A coordenadora do setor de Epidemiologia do município de Terra Roxa, Telma Tristão, faz um alerta para o aumento de casos de coqueluche (tosse comprida), doença respiratória altamente contagiosa que pode ser grave, principalmente em crianças menores de um ano. Em entrevista ao Portal T7, Telma destacou a importância da vacinação e do acompanhamento da saúde infantil, ressaltando que a doença poderia ser evitada se a população mantivesse a imunização em dia.

Segundo a coordenadora, o cenário atual no município é preocupante. O Pronto Atendimento Municipal (PAM) tem registrado um aumento significativo de pacientes com doenças respiratórias, dificultando a identificação precoce de casos de coqueluche. “A coqueluche se confunde com gripes comuns, mas é transmissível e pode trazer complicações graves. A doença provoca tosse intensa, jatos de vômito, dificuldade para respirar e ruído no peito, podendo ser letal para bebês”, explicou Telma.

A doença é causada pela bactéria Bordetella pertussis e é altamente contagiosa. A transmissão ocorre por gotículas respiratórias, quando a pessoa infectada tosse, espirra ou fala. Crianças não vacinadas têm maior risco de infecção. Telma destacou que, no município, dois exames estão em andamento para investigação de casos recentes, confirmando a transmissão ativa da doença na comunidade.

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“Nosso município recebe pessoas de diferentes regiões e países, incluindo venezuelanos, paraguaios e indígenas. Com o aumento da população circulante, algumas doenças voltam a se manifestar”, afirmou a coordenadora.

A vacinação continua sendo a forma mais eficaz de prevenção. Gestantes devem receber a vacina dTpa a partir da 20ª semana de gestação, garantindo que o bebê receba anticorpos passivamente ainda no útero. Após o nascimento, a criança deve ser imunizada com a vacina pentavalente aos 2, 4 e 6 meses, que também protege contra a coqueluche.

Telma reforçou que a vacinação é oferecida gratuitamente a todos os profissionais de saúde e gestantes do município. “No ano passado, todos os nossos profissionais da rede municipal receberam a vacina, evitando que transmitam a doença a seus bebês ou a outros pacientes”, disse. A vacina é indicada também para transplantados, cardiopatas e profissionais de saúde até 49 anos, de acordo com protocolos do Ministério da Saúde.

Apesar dos esforços, a coordenadora explicou que ainda existem desafios. Muitos pais deixam a vacinação a cargo de terceiros ou só vacinam os filhos por questões ligadas a benefícios sociais, como o Bolsa Família, ou exigências escolares. “Nosso objetivo é imunizar para proteger vidas, não apenas para atender a programas sociais. A responsabilidade de cada um é fundamental”, afirmou.

Telma enfatizou que a vacinação deve ser priorizada, pois a coqueluche pode levar a problemas respiratórios graves e até morte, especialmente em crianças menores de um ano. “A criança pode apresentar engasgos durante os acessos de tosse e dificuldade para respirar, o que gera sofrimento intenso para pais e familiares. Não precisamos passar por isso”, alertou.

A coordenadora pediu à população que busque informações em fontes confiáveis, como o site da imunização brasileira e da Secretaria de Saúde do Paraná, e evite conteúdos de fake news sobre vacinas. “Vacinar salva vidas. É seguro, gratuito e está disponível em todas as unidades de saúde do município: Ângelo Lopes, Parque Verde, Centro e Santa Rita”, afirmou.

Por fim, Telma reforçou a importância da colaboração de toda a comunidade: pais, mães, avós e responsáveis devem manter a vacinação em dia e buscar atendimento ao menor sinal de tosse persistente ou suspeita de coqueluche. “Nosso trabalho na Epidemiologia é cuidar da vida das pessoas, mas precisamos da participação de todos para que Terra Roxa se mantenha protegida contra essa doença”, concluiu.