Um teste recente promovido pela Anistia Internacional Brasil revelou falhas graves na moderação da Meta, mostrando que o Facebook aprova conteúdos contendo desinformação eleitoral. A análise divulgada a 40 dias do primeiro turno das eleições demonstrou como materiais antidemocráticos conseguem burlar as barreiras automáticas de verificação da rede social.

Ao todo, a ONG submeteu 15 anúncios pagos em português direcionados a eleitores brasileiros. Das 14 publicações que continham desinformação explícita, mais da metade teve sua veiculação aprovada pelo sistema. As peças acabaram canceladas pelos próprios pesquisadores antes de irem ao ar.

As publicações antidemocráticas testadas pela organização seguiram três estratégias principais de manipulação:

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  • Deslegitimação eleitoral: conteúdos criados para minar a confiança no sistema de votação e nos resultados das urnas;
  • Construção do inimigo: ataques que retratam tribunais e opositores como ameaças diretas à nação;
  • Autoritarismo com foco na segurança: apelos à intervenção militar ou uso da força como soluções para a desordem.

Em um dos anúncios submetidos, o texto pregava expressamente uma revolução militar e alegava que as Forças Armadas tomariam o poder caso a abstenção superasse 50%. A alegação, repetidamente desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foi aceita pelo algoritmo da plataforma.

Oito anúncios aprovados pela moderação

No total, oito das 15 campanhas programadas receberam parecer favorável para publicação. Sete delas atacavam a integridade das instituições eleitorais e os candidatos. Apenas sete peças foram recusadas, mas não por conterem mentiras, e sim por demandarem verificação prévia de identidade para temas de cunho político e social.

Segundo a ONG, os avisos de rejeição não especificavam a presença de desinformação eleitoral no conteúdo. A falha torna-se ainda mais crítica porque os testes foram enviados diretamente de Londres, sem o uso de redes privadas virtuais (VPN), expondo a fragilidade na contenção de ingerências internacionais.

Alertas da ONG e reação da Meta

Jurema Werneck, diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil, classificou a falha no sistema de moderação da Meta como alarmante. Segundo a executiva, a empresa continua lucrando com publicidade enquanto falha em conter vetores de desinformação em suas redes.

A Meta fatura bilhões com anúncios globalmente, e o consultor Ummar Bashir reforçou que as salvaguardas da plataforma parecem falhar de forma inconsistente, gerando grandes preocupações quanto à proteção do processo democrático.

Em resposta, a Meta declarou que o estudo da ONG se baseou em uma amostra reduzida de anúncios não publicados. A empresa defendeu a eficácia de suas múltiplas camadas de análise antes e depois das veiculações, destacando que realiza investimentos pesados para resguardar as eleições no Brasil.

Diretrizes do Tribunal Superior Eleitoral

A legislação brasileira obriga as plataformas digitais a adotarem medidas ativas contra a circulação de notícias falsas. Segundo o TSE, redes sociais devem retirar do ar conteúdos que descredibilizem o sistema eletrônico de votação, inclusive sem a necessidade de uma ordem judicial prévia.

FONTE/CRÉDITOS: Portal T7 com EBC