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Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), protagonizaram uma intensa discussão nesta terça-feira. O bate-boca ocorreu em meio ao julgamento sobre a possível abertura de investigação contra o próprio Moraes na Suprema Corte.
Moraes acusou Mendonça de exigir que investigadores da Operação Compliance Zero incluíssem seu nome em uma eventual delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O dono do antigo Banco Master é investigado por fraudes bilionárias.
"Quem tem medo da Polícia Federal?", questionou Moraes durante a sessão. O ministro afirmou possuir testemunhas, entre advogados e policiais, que teriam visto Mendonça fazer tal pedido.
Para o magistrado, a atitude do colega teve motivação político-eleitoral. Ele argumentou que Mendonça estaria a serviço de um grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, responsável pela sua indicação ao tribunal.
No plenário, Mendonça negou veementemente qualquer direcionamento do caso ou pedido de inclusão. "Isso é mentira!", exclamou, afirmando que as supostas testemunhas citadas iriam mentir caso fossem chamadas a depor.
O ministro Gilmar Mendes também interveio e acusou Mendonça de motivação político-partidária. A crítica ocorreu devido ao levantamento do sigilo de um relatório que vinculava Moraes a Vorcaro.
Diante da crise, o decano propôs o adiamento da análise para o dia 23 de setembro. Na mesma data, o plenário deve avaliar o pedido de investigação contra Mendonça por abuso de autoridade.
A sessão foi suspensa para o almoço pelo presidente do STF, Edson Fachin, com retorno previsto para o período da tarde. O caso segue mobilizando os ministros da corte.
Crise institucional e novos desdobramentos
O relatório com menções a Moraes veio à tona em 1º de setembro. O ato de Mendonça gerou uma crise sem precedentes no STF, marcada pela divulgação de documentos e pedidos mútuos de investigação.
A Procuradoria-Geral da República pediu a anulação do relatório parcial. O órgão aponta irregularidades na condução do caso sem comunicação prévia ao plenário da Corte.
Detalhes das mensagens
O documento apresentado por Mendonça contém 52 mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro. Nelas, o ex-banqueiro sugere proximidade com Moraes e menciona contratos com o escritório da esposa do ministro.
Em sua defesa, Moraes classificou o relatório como inconstitucional e ilegal. Ele respondeu divulgando outro documento de inteligência que aponta suposto uso político das investigações por parte de Mendonça.
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