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Durante audiência pública realizada na Comissão de Cultura da Câmara nesta terça-feira (7), especialistas e parlamentares discutiram como as mudanças climáticas representam um risco direto à preservação do patrimônio cultural nacional. O encontro reforçou a necessidade de implementar políticas públicas que protejam paisagens vulneráveis, como o Pantanal e a Caatinga, unindo a ciência ao conhecimento ancestral para mitigar danos ambientais.
Um dos pontos centrais do debate foi a apresentação da Carta Brasileira do Patrimônio Cultural e Mudanças Climáticas. Este documento propõe que os bens culturais sejam vistos não apenas como objetos de guarda passiva, mas como ferramentas dinâmicas de tecnologia social fundamentais para enfrentar a crise climática contemporânea.
Luana Campos, representante do Icomos-Brasil, celebrou o fato de que a elaboração da Carta contou com a colaboração de mais de 300 instituições. Ela ressaltou, porém, que ainda existe um distanciamento da sociedade civil na compreensão de como o clima afeta diretamente a nossa herança histórica e identitária.
“Nossa cultura nos permite entender que o conhecimento tradicional desses grupos que formam a nossa base histórica é essencial para projetarmos um futuro melhor”, afirmou Luana. Ela defende que a sabedoria popular deve ser o pilar para novas estratégias de resiliência territorial.
O deputado Tarcísio Motta (PSOL-RJ), proponente do debate, alertou que o colapso ecológico planetário já é uma realidade consolidada. Segundo ele, eventos climáticos extremos colocam em perigo não apenas monumentos e sítios arqueológicos, mas também os modos de vida e os saberes de comunidades locais.
Estratégias de mitigação e defesa civil
O presidente do Iphan, Deyvesson Gusmão, destacou que o instituto tem buscado alinhar a preservação cultural às instâncias de segurança nacional. Recentemente, o órgão conseguiu integrar a proteção do patrimônio ao Plano Nacional de Proteção e Defesa Civil, prevendo ações de capacitação e resposta a desastres.
Inamara Melo, do Ministério do Meio Ambiente, apresentou dados preocupantes sobre a vulnerabilidade do país. De acordo com a representante, cerca de 84,5% dos municípios brasileiros sofreram impactos de desastres climáticos na última década, o que exige uma integração total das políticas de estado.
Os especialistas concluíram que a sustentabilidade do patrimônio nacional depende de financiamento robusto e de uma visão sistêmica. A prioridade deve ser a criação de mecanismos que garantam a adaptação dos territórios e a mitigação dos efeitos severos causados pelo aquecimento global.
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