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Durante a conferência internacional “Mulheres que movem a justiça”, realizada em Brasília nesta quinta-feira (5), comunicadoras e juristas defenderam a união em rede como estratégia essencial para fortalecer a participação feminina e combater o machismo no sistema judiciário.
A presidenta da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Antonia Pellegrino, destacou que alianças históricas, como o “lobby do batom” na Constituinte de 1987-1988, garantiram grande parte dos direitos atuais. Ela ressaltou a oportunidade de ocupação feminina com os 40% de cargos vitalícios que vagarão no Judiciário na próxima década.
Para a gestora, atuar coletivamente é uma estratégia histórica de sobrevivência. Além disso, as redes de solidariedade funcionam como instrumento eficaz para deter a desinformação promovida por grupos extremistas, que frequentemente atacam os canais de comunicação pública.
Conscientização e mudança cultural
A advogada e influenciadora Sara Gabriela, criadora da página “Seja a princesa que salva a si mesma”, afirmou que o enfrentamento à misoginia exige confrontar o machismo estrutural. Segundo ela, apesar de o país possuir um arcabouço jurídico avançado, é fundamental disseminar informações diretas e sem suavizações para promover transformação cultural.
Com foco na conscientização jurídica, a advogada Miriane Ferreira alertou que muitas mulheres deixam de reivindicar direitos patrimoniais após divórcios por desconhecerem o valor econômico do trabalho doméstico. Ela enfatizou que a união entre mulheres é indispensável para superar o descrédito social.
Desafios no Judiciário e representatividade
A advogada Mayra Cotta, criadora da série “Afiadas”, apontou que, embora as denúncias de abusos tenham aumentado, as vítimas ainda enfrentam resistências graves nas instituições. Ela criticou a postura de magistrados que abrandam atitudes de assediadores e defendeu uma mudança profunda na recepção dessas queixas.
Completando o painel, a jornalista Thayse Xavier, da plataforma “Elas trabalham”, incentivou a mobilização pelo voto e o apoio às mulheres em cargos de liderança. Já a cineasta Fernanda Amim destacou como o cinema pode expor o racismo institucional e falhas no sistema criminal, como os erros no reconhecimento fotográfico.
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