Nesta terça-feira (15), o julgamento no STF sobre a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes foi suspenso após um pedido de vista de Flávio Dino. A sessão no Supremo Tribunal Federal visava analisar denúncias relativas ao caso do Banco Master e envolveu forte consternação da ministra Cármen Lúcia, que lamentou o mal-estar cívico provocado pelas recentes polêmicas na Corte.

Durante a sessão, a magistrada desabafou sobre a exposição negativa da instituição, afirmando sentir profunda tristeza e consternação. De acordo com Cármen Lúcia, o desdobramento das acusações gerou espetacularização e promoveu intranquilidade na sociedade brasileira, afetando o sentimento de justiça do cidadão em um momento em que o país deveria debater os rumos do processo eleitoral.

Antes do pedido de interrupção feito por Dino, o placar preliminar registrava quatro votos a três favoráveis à votação em separado das acusações. A proposta busca dividir a análise da conduta de Moraes e a dos atos praticados por André Mendonça, que atuava como relator e remeteu representações contra o colega de tribunal e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

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A posição pela análise fatiada das denúncias foi aberta pelo presidente do tribunal, Edson Fachin, e acompanhada por Cármen Lúcia, Luiz Fux e pelo próprio Mendonça. Em contrapartida, os ministros Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes defenderam a deliberação conjunta de todas as acusações apresentadas.

Posicionamento do ministro Luiz Fux

Ao fundamentar seu posicionamento favorável à tramitação autônoma, Luiz Fux ressaltou a ausência de conexão entre os requerimentos formulados. O magistrado pontuou que uma das petições aborda suposto abuso de autoridade de Mendonça, enquanto a outra trata de alegações contra Moraes, sem que existam causas penais, inquéritos ou processos criminais formalizados no âmbito deste debate.

Fux argumentou ainda que o episódio se resumiu a uma divergência procedimental entre dois integrantes do tribunal. Segundo o ministro, a presidência da Corte foi acionada para arbitrar o impasse e atuou estritamente dentro das atribuições administrativas previstas pelo Regimento Interno do STF.

Contexto e origem do impasse no tribunal

O desgaste institucional teve início em 1º de setembro, ocasião em que André Mendonça retirou o sigilo de um relatório policial contendo menções a Alexandre de Moraes. A medida motivou a Procuradoria-Geral da República (PGR) a solicitar a anulação do documento, sob a justificativa de que Mendonça não poderia avançar em apurações contra um par sem comunicação prévia ao plenário.

O material em questão reúne 52 mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro dirigidas a Moraes entre os anos de 2023 e 2025. Os diálogos indicam proximidade e citam um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa do ministro, além de consultas sobre eventuais operações policiais.

Em sua defesa oficial enviada ao tribunal, Moraes rechaçou qualquer conduta irregular. O magistrado classificou o relatório policial embasado nas supostas mensagens como uma peça inconstitucional e desprovida de validade jurídica.

Contraponto e acusações mútuas

Como reação, Moraes tornou público em 2 de setembro um documento atribuído à Polícia Federal, argumentando que Mendonça teria direcionado investigações na Operação Compliance Zero para atingir adversários políticos. O relatório, no entanto, não ostenta assinatura, timbre oficial ou valor probatório reconhecido.

Diante do quadro, Moraes solicitou a abertura de investigação formal contra Mendonça por supostos crimes de responsabilidade, improbidade e abuso de autoridade. A apreciação deste pedido específico foi agendada pela presidência do Supremo Tribunal Federal para o dia 23 de setembro.

FONTE/CRÉDITOS: Portal T7 com EBC