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O ministro Cristiano Zanin afirmou, em julgamento no STF nesta terça-feira (15), ser inviável abrir uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes sem antes votar a suspeição do antigo relator do caso, André Mendonça. Segundo o magistrado, apurar o caso sem definir a situação de Mendonça representa uma inversão da lógica processual.
A declaração ocorreu durante a análise de uma questão de ordem apresentada pelo ministro Gilmar Mendes. Ele solicitou que o Plenário inclua no julgamento as supostas irregularidades atribuídas a Mendonça na condução do processo do Banco Master. Ao se dirigir ao presidente da Corte, Edson Fachin, Zanin argumentou que as duas controvérsias estão totalmente vinculadas.
Zanin destacou que Fachin sinalizou a possibilidade de reconhecer a suspeição de Mendonça. Dessa forma, abrir uma apuração contra Moraes sem resolver essa preliminar comprometeria o andamento jurídico. Além de Zanin, os ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes votaram a favor da proposta de Gilmar Mendes, enquanto Fachin defendia analisar os casos separadamente.
Entenda a origem do conflito
A crise institucional começou em 1º de setembro, quando Mendonça retirou o sigilo de um relatório contendo 52 mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Os textos sugerem proximidade com Moraes, incluindo citações a um contrato de R$ 131 milhões com o escritório da esposa do ministro e dados sobre uma operação policial efetuada até novembro de 2025.
Em reação, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a anulação do relatório parcial. O órgão argumentou que Mendonça agiu de forma irregular ao avançar na investigação sem avisar o presidente do Supremo ou o Plenário. O procurador-geral Paulo Gonet também teve o nome citado nas mensagens anexadas ao dossiê.
Por sua vez, Moraes classificou o relatório de inconstitucional em sua defesa apresentada nesta terça-feira (15). Ele negou qualquer conduta ilícita no relacionamento com Vorcaro.
Reação e contraofensiva
Como resposta, Moraes divulgou em 2 de setembro um documento atribuído à Polícia Federal. O texto acusa Mendonça de direcionar as apurações da Operação Compliance Zero contra opositores. O material, porém, não contém assinatura, timbre ou validade probatória oficial.
Diante disso, Moraes solicitou a abertura de inquérito contra Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crimes de responsabilidade. O pedido feito por Moraes tem julgamento marcado pelo presidente Fachin para o dia 23 de setembro.
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