Analistas de geopolítica e tecnologia alertam para o risco de interferência cibernética dos Estados Unidos nas eleições gerais brasileiras deste ano. A preocupação é de que ações orquestradas em conjunto com big techs possam manipular a opinião pública e desestabilizar o processo democrático nacional.

A apreensão aumentou após o recente tarifaço de 25% e o cancelamento de vistos de autoridades brasileiras. Para especialistas consultados pela Agência Brasil, a escalada de sanções promovida pelo governo de Donald Trump indica a possibilidade de novos ataques no ambiente virtual.

Segundo Reynaldo Aragon, pesquisador e editor do portal Código Aberto, um memorando assinado por Trump traz um precedente inédito. O documento autoriza o uso de grandes empresas de tecnologia em operações de espionagem e ações em redes digitais.

Publicidade
Publicidade

Leia Também:

A medida permite parcerias da Casa Branca com a iniciativa privada para acessar sistemas de informação sem autorização. Essa liberação abrange desde a criação de relatórios ou dossiês sobre candidatos até a alteração, interrupção e degradação de infraestruturas físicas ou virtuais de telecomunicações.

Diante desse cenário, Aragon enfatiza que a dependência brasileira de sistemas norte-americanos gera uma vulnerabilidade crítica. Segundo o pesquisador, a maioria das infraestruturas sensíveis do Estado do Brasil permanece sob controle de empresas privadas dos EUA.

Ações subterrâneas e influência digital

Especialistas explicam que essas ofensivas ocorrem de maneira silenciosa e oculta, sem deixar rastros evidentes de autoria. Estratégias como o impulsionamento direcionado de perfis nas redes sociais representam apenas a superfície de um risco estrutural muito mais abrangente.

O tensionamento diplomático já vinha ocorrendo antes do envio do memorando. Em julho, o governo brasileiro negou o visto de entrada para dois assistentes do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, sob suspeitas de tentarem colocar em dúvida o sistema eleitoral do país.

Tentativas de descredibilizar o sistema eleitoral

O especialista em geopolítica Euclides Vasconcelos reitera que os EUA utilizam plataformas digitais como extensões de seus próprios interesses governamentais. De acordo com o professor, essas corporações conseguem canalizar e moldar de forma direta a opinião de grupos demográficos específicos.

Vasconcelos cita como exemplo a crise migratória em Ceuta, na África, provocada por desinformação coordenada nas redes sociais. Na ocasião, notícias falsas espalhadas no Marrocos levaram milhares de pessoas a cruzar a fronteira espanhola de forma irregular.

A proximidade entre executivos de tecnologia e a defesa norte-americana reforça esse alerta. Em junho de 2025, o Exército dos EUA nomeou líderes da Meta, OpenAI e Palantir como tenentes-coronéis do Destacamento 201, focado em inovação tecnológica.

Doutrina de segurança na América Latina

As ações adotadas refletem a diretriz de segurança dos EUA divulgada no fim de 2025. O documento estabelece a proeminência das decisões norte-americanas sobre a América Latina, prevendo intervenções diretas para moldar a orientação política no continente.

Para os analistas, o Brasil se destaca como o ator central na região devido ao seu peso econômico e político. Na visão da diplomacia de Washington, o país é o único capaz de desafiar a hegemonia no hemisfério sul.

FONTE/CRÉDITOS: Portal T7 com EBC