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Uma investigação da Polícia Federal revelou diálogos em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobrou repasses do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para o financiamento do filme Dark Horse. Os relatórios divulgados pelo Supremo Tribunal Federal detalham negociações milionárias, possíveis encontros presenciais e remessas internacionais sob suspeita.
Segundo os investigadores, o parlamentar teria solicitado R$ 131 milhões para a produção da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Desse total, cerca de R$ 60 milhões foram pagos, gerando cobranças subsequentes por parcelas atrasadas intermediadas pelo publicitário Thiago Miranda.
Registros de encontros e cobranças por áudio
As mensagens diretas entre o senador e o dono do Banco Master indicam a realização de reuniões presenciais em agosto de 2025. Em áudio enviado em setembro, Flávio Bolsonaro manifestou receio de que o atraso nos pagamentos gerasse calotes em atores renomados de Hollywood contratados para o projeto.
Em novembro, véspera da deflagração da Operação Compliance Zero, novas tentativas de contato ocorreram. Na ocasião, o senador enviou mensagens reafirmando apoio ao banqueiro e solicitando esclarecimentos sobre a continuidade dos repasses financeiros.
Remessas internacionais e articulação política
A apuração também mapeou movimentações financeiras para o exterior. Um Relatório de Inteligência Financeira identificou sete remessas da Entre Investimentos para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado nos Estados Unidos, somando US$ 12,33 milhões.
O fundo norte-americano é gerido pelo advogado Paulo Calixto, ligado a Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A PF averigua se os valores enviados ao exterior financiaram a permanência do ex-deputado nos Estados Unidos, além de checar mensagens em que ele orientava o ritmo das transferências.
Disputa por documentos societários
Para esclarecer a origem dos recursos, a PF solicitou registros contábeis e bancários da produtora Go Up Entertainment LLC. Contudo, a defesa da empresa alega que documentos mantidos em solo americano exigem cooperação jurídica internacional para serem compartilhados.
Ambos os irmãos Bolsonaro negam qualquer irregularidade nas negociações. O caso segue em apuração no âmbito dos inquéritos que envolvem as atividades do Banco Master.
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