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A admissão oficial da responsabilidade do Estado brasileiro na morte de Marighella completa 30 anos, marco fundamental na reparação histórica das vítimas da ditadura militar. Em 11 de setembro de 1996, o advogado Carlos Augusto Marighella recebeu o atestado de óbito de seu pai, o ex-deputado e guerrilheiro Carlos Marighella, que havia sido emboscado e executado por agentes repressivos em São Paulo, no ano de 1969.
A emissão do documento ocorreu com base na Lei 9.140/1995, responsável por instituir a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Para a família, o ato representou o primeiro avanço concreto para restaurar a memória do líder político, sepultado inicialmente como indigente antes de ter seus restos mortais transferidos para Salvador em 1979.
Revisão histórica e retificação
Ao longo dos anos, a atuação da comissão permitiu desmistificar a narrativa oficial da polícia, comprovando que o guerrilheiro foi vítima de fuzilamento e não de um confronto armado. Documentos posteriores também foram corrigidos para incluir a união de Marighella com a ativista Clara Charf, falecida em 2025 aos 100 anos, reconhecendo oficialmente a relação conjugal vivida na clandestinidade.
Preservação da memória e legado
Além da reparação jurídica, Carlinhos enfatiza a necessidade de conscientizar as novas gerações sobre a defesa da democracia. Recentemente, a Universidade Federal da Bahia outorgou de forma simbólica o diploma de engenheiro a Marighella, cujo curso foi interrompido no último ano devido à perseguição política.
Apesar de a família nunca ter recuperado o acervo intelectual confiscado pelo regime militar, o filho do militante mantém o desejo de criar um memorial dedicado à sua trajetória. Para ele, a resiliência e a busca por justiça permanecem como os maiores ensinamentos deixados pelo pai.
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