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A mobilização do Agosto Dourado marca a abertura da Semana Mundial do Aleitamento Materno de 2026, iniciativa que incentiva o aleitamento materno como prioridade de saúde pública. Com a coordenação do Ministério da Saúde e apoio de entidades médicas, a campanha promove ações socioeconômicas e de proteção alimentar para conscientizar as famílias em todo o país sobre os benefícios da amamentação.
A dona de casa Lorrany Duarte vivencia novamente a experiência da maternidade com a chegada de sua segunda filha, Elisa. Seu objetivo é garantir a alimentação exclusiva em livre demanda durante os seis primeiros meses da recém-nascida, visando o desenvolvimento saudável e o fortalecimento do sistema imunológico da bebê.
A determinação de Lorrany baseia-se na criação da primeira filha, que passou a utilizar fórmula infantil com apenas um mês de vida. Segundo a mãe, a ausência do leite humano contribuiu para constantes problemas de saúde e atrasos no crescimento da menina, cenário que ela busca evitar no momento.
Para superar os desafios do início da amamentação, Lorrany conta com o apoio da irmã, Marielly Duarte. Experiente no cuidado de três filhos, Marielly auxilia com o uso de bomba de extração no banco de leite humano do Hospital Regional de Taguatinga, simplificando a rotina de cuidados com a criança.
Pressão comercial das fórmulas infantis
Em entrevista, a presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Rossiclei Pinheiro, alertou contra a publicidade ostensiva de produtos substitutos. A médica adverte que o assédio comercial da indústria sobre profissionais de saúde e famílias gera desinformação e compromete o ato de amamentar.
A especialista destaca que, apesar de o marketing massivo tentar igualar esses ultraprocessados ao leite materno, nenhum produto industrializado possui as mesmas propriedades biológicas e de proteção contra infecções que o alimento natural fornecido diretamente pela mãe.
Indicações restritas e médicas para o uso de fórmulas
O uso de fórmulas infantis deve ocorrer exclusivamente sob orientação de pediatras ou nutricionistas. Essas alternativas são recomendadas apenas para casos específicos, como mães portadoras do vírus HIV, contraindicações médicas formais, alergias severas nos recém-nascidos ou impossibilidade total de amamentar.
Para conter prescrições desnecessárias, a Sociedade Brasileira de Pediatria investe na capacitação continuada de médicos. O foco engloba o manejo prático de complicações mamilares, reforçando que o leite materno traz vantagens insubstituíveis ao longo de toda a vida da criança.
Impacto econômico e proteção pela legislação
Além das vantagens nutricionais, a promoção da amamentação reduz os custos financeiros familiares com medicamentos e consultas médicas. A prática alinha-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU ao diminuir faltas no trabalho e favorecer o planejamento do retorno maternal à rotina profissional.
No Brasil, a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância (NBCAL), respaldada pela Lei 11.265/2006, proíbe patrocínios da indústria a médicos e limita propagandas de mamadeiras, bicos e chupetas, prevenindo o desmame precoce e a confusão de bicos.
Metas nacionais e evolução do aleitamento no país
Com a meta de atingir 70% de aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida até 2030, o Brasil busca superar a diretriz global da Assembleia Mundial da Saúde. Historicamente, o país saltou de 4,7% de amamentação exclusiva na década de 1980 para 45,8% em 2019, segundo dados do Enani.
Esses avanços comprovam a eficácia de políticas públicas integradas, como a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança. Para especialistas, a consolidação desse acesso à informação reduz significativamente a mortalidade infantil e combate as desigualdades sociais no país.
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