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Um novo alerta do Unicef divulgado recentemente revela que mais de 30 milhões de crianças e adolescentes no Brasil enfrentam graves riscos climáticos devido à chegada do fenômeno El Niño. A organização destaca a urgência de preparar os serviços públicos para proteger a infância contra eventos extremos que ameaçam a saúde, a educação e a segurança alimentar no país.
Segundo o levantamento, seis em cada dez jovens brasileiros já convivem com múltiplas ameaças ambientais. Desse total, cerca de 16 milhões estão expostos a três ou mais fatores de vulnerabilidade. O Unicef recorda que desastres recentes, como as enchentes no Rio Grande do Sul e a seca histórica na Amazônia em 2024, interromperam as aulas de mais de 1,1 milhão de estudantes.
O El Niño consiste em um aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial. Esse ciclo natural altera significativamente as temperaturas e o regime de chuvas globalmente. No entanto, a ação humana e as mudanças climáticas globais têm potencializado a severidade de seus efeitos a cada nova ocorrência, que costuma se repetir em intervalos de dois a sete anos.
Órgãos oficiais alertam para uma probabilidade superior a 90% de o fenômeno registrar intensidade muito forte nos próximos meses. As previsões indicam estiagem severa nas regiões Norte e Nordeste, enquanto o Sul deve registrar chuvas acima da média. O calor extremo também deve intensificar o risco de queimadas nas áreas centrais e setentrionais do território nacional.
Danilo Moura, especialista em Clima e Meio Ambiente do Unicef no Brasil, ressalta que a análise vai além dos dados meteorológicos. O foco principal está nas consequências diretas sobre a vida das crianças. A escassez de água potável, o contato com fumaça e o fechamento de escolas são impactos reais que exigem medidas preventivas robustas antes que as crises se instalem.
Impactos multissetoriais na infância
A vulnerabilidade infantil exige respostas estruturadas em diversas frentes. Na saúde, o calor extremo eleva o risco de desidratação e propaga enfermidades como a dengue. Na alimentação, a quebra de safras agrícolas pode encarecer os alimentos, agravando a desnutrição. O Unicef recomenda o monitoramento nutricional precoce e o estoque prévio de medicamentos em áreas isoladas.
No setor de água e saneamento, secas e enchentes ameaçam o acesso à água potável, demandando planos comunitários de armazenamento. Na educação, as redes de ensino precisam viabilizar alternativas para evitar a suspensão das aulas. Por fim, sistemas de proteção social devem ser adaptados para amparar rapidamente as famílias vulneráveis que perderem sua renda devido aos extremos climáticos.
Agir preventivamente é o caminho mais eficaz e econômico para mitigar esses danos. De acordo com o especialista do Unicef, antecipar a preparação dos serviços essenciais evita que anomalias climáticas severas se convertam em desastres humanitários para a infância brasileira, garantindo uma rede de proteção resiliente para os ciclos futuros.
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