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O **Tesouro Nacional** informou nesta sexta-feira (26) que a **dívida pública** federal rompeu a marca histórica de R$ 9 trilhões em maio, impulsionada pela emissão maciça de títulos atrelados à taxa **Selic**. O estoque total avançou 2,66% em relação a abril, saindo de R$ 8,798 trilhões para R$ 9,033 trilhões.
Este crescimento ocorre menos de um ano após o indicador atingir o patamar de R$ 8 trilhões, em agosto de 2023. Apesar da aceleração, o governo afirma que os valores estão alinhados ao Plano Anual de Financiamento (PAF), que projeta um encerramento para 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.
No âmbito interno, a dívida mobiliária subiu 2,72%, alcançando R$ 8,692 trilhões. O movimento foi gerado por uma emissão líquida de R$ 135,61 bilhões, somada à apropriação de juros, que adicionou R$ 94,17 bilhões ao montante total devido.
A dinâmica de apropriação mensal de juros reflete a correção dos títulos em circulação. Com a taxa Selic fixada em patamares elevados, o custo de manutenção do endividamento público sofre uma pressão contínua, elevando o estoque de forma orgânica.
Em maio, o volume de emissões atingiu R$ 166,23 bilhões, estabelecendo um recorde histórico para a série do Tesouro. A estratégia focou na substituição de papéis vencidos em março e no atendimento à demanda do mercado por ativos indexados aos juros básicos.
Por outro lado, os resgates totalizaram apenas R$ 30,62 bilhões, um valor considerado reduzido. Essa baixa concentração de vencimentos é típica do segundo mês de cada trimestre, o que contribuiu para o saldo positivo no estoque.
Já a dívida externa federal apresentou alta de 1,28%, fechando maio em R$ 340,49 bilhões. A variação foi influenciada diretamente pela valorização de 1,37% do dólar frente ao real durante o mês.
Reserva de liquidez e colchão financeiro
O chamado "colchão" da dívida, reserva estratégica para enfrentar crises ou picos de vencimento, apresentou recuperação ao subir para R$ 1,211 trilhão. Este é o maior volume registrado desde novembro de 2025, motivado pelo excedente de emissões sobre os resgates.
Atualmente, essa reserva financeira é suficiente para cobrir 9,14 meses de obrigações futuras. O cronograma do Tesouro prevê que R$ 1,804 trilhão em títulos públicos vencerão ao longo dos próximos 12 meses.
Perfil e composição do endividamento
A predominância de títulos atrelados à Selic aumentou na composição da dívida, passando de 48,59% para 48,99%. Em contrapartida, os papéis corrigidos pela inflação recuaram levemente, representando 26,26% do total em maio.
- Títulos vinculados a Selic: 48,59% para 48,99%;
- Títulos corrigidos pela inflação: 26,76% para 26,26%;
- Títulos prefixados: 20,85% para 21%;
- Títulos vinculados ao câmbio: 3,8% para 3,75%.
Embora os títulos prefixados ofereçam maior previsibilidade orçamentária, sua emissão tende a ser evitada em períodos de alta volatilidade. Nessas condições, investidores exigem prêmios de risco elevados, o que encarece a gestão da dívida pública.
Atualmente, a atratividade dos papéis indexados aos juros básicos é sustentada pelas decisões do Copom. A parcela cambial da dívida segue composta por títulos externos e antigos papéis internos corrigidos pela moeda americana.
Prazos e perfil dos investidores
O prazo médio de vencimento da DPF recuou de 4,12 para 4,07 anos. Esse indicador é fundamental para medir a confiança do mercado, pois prazos mais longos sugerem uma percepção de menor risco de solvência por parte dos credores.
Quanto aos detentores da dívida interna, as instituições financeiras lideram com 31,54%, seguidas pelos fundos de pensão (22,92%) e fundos de investimento (21,74%).
A participação de investidores estrangeiros recuou para 10,14% em maio, refletindo o aumento das tensões geopolíticas globais. O fluxo de capital externo é frequentemente visto como um termômetro da credibilidade econômica do país no exterior.
A dívida pública funciona como um mecanismo de financiamento estatal, onde o governo capta recursos para custear suas operações. Em troca, os investidores recebem rendimentos baseados em índices como a inflação, o dólar ou taxas fixas.
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