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O governo federal instituiu, por meio de medida provisória, o Desenrola 3.0, uma nova etapa do programa de renegociação de dívidas de pessoas físicas que permite à União comprar carteiras de débitos inadimplidos diretamente em leilões. A iniciativa visa transferir integralmente o desconto obtido aos consumidores negativados.
Diferentemente das fases passadas, onde as negociações ocorriam sem a intermediação financeira estatal, o novo modelo permite ao governo adquirir compromissos financeiros em atraso. A expectativa oficial é de que a medida abranja até R$ 150 bilhões em pendências.
Como funcionará a compra de dívidas
A nova etapa contempla débitos bancários e não bancários com valor original de até R$ 10 mil. Para ingressar no sistema, as dívidas precisam registrar atraso entre 720 e 1.645 dias.
O processo operacional seguirá etapas estruturadas:
1. A União promove leilões para adquirir as carteiras pendentes.
2. Os credores submetem suas ofertas de desconto.
3. As propostas recebem classificação baseada no maior percentual de deságio.
4. O benefício obtido é repassado em sua totalidade ao cidadão.
5. O titular da dívida pode optar pelo pagamento à vista ou parcelado.
Critérios para participação
As regras básicas estabelecidas pela Medida Provisória englobam obrigações de até R$ 10 mil originalmente, com atrasos superiores a 720 dias e inferiores a 1.645 dias, cobrindo setores bancários e comerciais.
O Ministério da Fazenda ainda poderá definir normas complementares sobre renda e priorização. Os leilões serão organizados em lotes, separando dívidas bancárias de compromissos não bancários.
Descontos e limites orçamentários
A exigência mínima de deságio nos leilões será de 90%. Dessa forma, um débito original de R$ 10 mil comprado pela União por meio dessa taxa custará R$ 1 mil ao consumidor na renegociação.
O cidadão poderá quitar o valor à vista, preservando a redução máxima, ou optar pelo parcelamento com juros definidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
O governo projeta renegociar até R$ 75 bilhões efetivos, atingindo cerca de 15 milhões de pessoas. O custo para a aquisição das carteiras está limitado a R$ 15 bilhões, com verbas previstas para os orçamentos de 2027 e 2028.
Cronograma do programa
O planejamento oficial estabelece as seguintes etapas:
• Setembro de 2026: Publicação da medida provisória;
• Novembro de 2026: Lançamento do chamamento público;
• Dezembro de 2026: Entrega das ofertas pelos credores;
• Janeiro de 2027: Homologação dos resultados;
• Fevereiro de 2027: Assinatura dos contratos e início das renegociações.
Panorama da inadimplência no país
Segundo dados do Tesouro Nacional referentes a agosto de 2026, o país registrava R$ 592 bilhões em dívidas vencidas há até cinco anos. O levantamento contabiliza 83,9 milhões de pessoas negativadas, com média de quatro dívidas por pessoa e valor médio de R$ 7 mil por negativado.
As mulheres representam 56% dos inadimplentes. Além disso, cerca de 55% do estoque devidamente registrado refere-se a contas não bancárias, como serviços de água, energia elétrica, telefonia e comércio varejista.
Balanço das fases anteriores
Nas etapas iniciais, o Desenrola atendeu cerca de 25 milhões de pessoas. A primeira fase renegociou R$ 53 bilhões em mais de 8 milhões de operações, beneficiando 15 milhões de pessoas. A segunda etapa movimentou R$ 22 bilhões em 5,5 milhões de contratos, alcançando 10 milhões de cidadãos.
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