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O IPCA de agosto registrou uma deflação de 0,32% no Brasil, marcando o menor índice para o mês em quatro anos, conforme dados divulgados nesta sexta-feira (11) pelo IBGE. O recuo expressivo foi impulsionado principalmente pelo desconto do Bônus de Itaipu nas tarifas de energia elétrica e pela queda contínua nos preços dos alimentos e dos transportes.
Com esse resultado, a inflação oficial do país reverteu a alta de 0,07% registrada em julho e ficou abaixo do índice de -0,11% observado em agosto de 2025. No acumulado de 12 meses, o indicador agora soma 4,22%, apresentando uma desaceleração em relação aos 4,44% registrados no mês anterior.
O recuo do indicador surpreendeu o mercado financeiro. A projeção do último Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central (BC), estimava uma deflação menor, de -0,23%. Apesar da queda recente, os analistas mantêm a expectativa de que o índice encerre o ano de 2026 em 5%.
Atualmente, a meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. Desde 2025, o cumprimento da meta passou a ser avaliado de forma contínua nos últimos 12 meses, sendo considerada descumprida caso estoure o limite por seis meses consecutivos.
Grupos em queda e o impacto na habitação
Entre os nove setores analisados pelo IBGE, quatro apresentaram deflação no período. O grupo de habitação registrou recuo de 1,87%, representando o impacto mais expressivo no índice geral. Esta foi a maior queda mensal para o setor de habitação desde o início do Plano Real, em 1994.
- Habitação: -1,87%
- Transportes: -0,86%
- Alimentação e bebidas: -0,34%
- Comunicação: -0,09%
Por outro lado, despesas pessoais (1,30%), artigos de residência (0,64%), educação (0,47%), saúde (0,23%) e vestuário (0,12%) registraram variações positivas no mês de agosto.
O impacto do Bônus de Itaipu na conta de luz
A forte retração no custo de habitação foi provocada pelo Bônus de Itaipu. O benefício, que repassa aos consumidores o saldo positivo da comercialização da usina hidrelétrica estatal, gerou um abatimento médio de 7,63% nas contas de energia elétrica dos brasileiros, sendo o principal fator de alívio no bolso do consumidor.
Preço dos alimentos segue em trajetória de queda
O grupo de alimentação e bebidas registrou sua terceira queda mensal consecutiva, recuando 0,34% em agosto. Esse movimento é altamente relevante para o orçamento doméstico, já que o setor representa mais de 21% de toda a cesta de consumo mensal das famílias brasileiras.
Os principais destaques de queda foram a batata-inglesa (-19,89%), a cenoura (-11,22%), a cebola (-11,07%) e o tomate (-10,94%). O preço dos ovos de galinha (-4,15%) e do café moído (-1,86%) também recuou de forma significativa no período.
Como é calculado o índice oficial
O IPCA reflete o custo de vida de famílias que recebem entre um e 40 salários mínimos. O IBGE realiza o levantamento de preços de 377 produtos e serviços em dez regiões metropolitanas do país, além de Brasília e outras seis capitais estaduais, garantindo uma cobertura nacional abrangente.
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