A Secretaria Municipal de Saúde de Terra Roxa realizou na última sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026, audiência pública no plenário da Câmara Municipal de Terra Roxa para a prestação de contas do terceiro quadrimestre de 2025 (setembro a dezembro). Durante o encontro, foram apresentados dados financeiros, produtividade das unidades, principais desafios enfrentados pela rede municipal e o planejamento estratégico para 2026.

A apresentação foi conduzida pela secretária de Saúde, Fernanda Martins, e equipe técnica, que detalharam números considerados expressivos tanto em volume de atendimentos quanto em investimento de recursos próprios.

Investimento acima do mínimo constitucional

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Conforme os dados apresentados, o município aplicou 27,21% das receitas próprias em ações e serviços públicos de saúde, percentual bem superior ao mínimo constitucional de 15%.

No período, a receita total somou R$ 13.358.047,27, entre recursos municipais, repasses estaduais, federais e emendas parlamentares. Entre os principais custos fixos estão:

- Repasse ao Ciscopar: aproximadamente R$ 1,34 milhão

- Médicos do Pronto Atendimento (PAN): cerca de R$ 659 mil

- Exames laboratoriais 24 horas: aproximadamente R$ 252 mil

A gestão destacou que o investimento superior ao exigido demonstra a prioridade dada à saúde dentro do orçamento municipal.

Atenção Primária mantém alto volume de atendimentos

A porta de entrada do sistema de saúde apresentou números expressivos no quadrimestre:

- 13.578 consultas médicas nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs)

- 118.096 procedimentos gerais realizados por médicos, enfermeiros e técnicos

Na área da saúde da mulher, foram contabilizadas 305 mamografias e 911 exames preventivos (citopatológicos).

 Durante o Outubro Rosa, a secretaria ampliou horários e realizou atendimentos inclusive aos sábados para facilitar o acesso da população.

Na odontologia, foram realizados 10.405 procedimentos. No entanto, o município ainda não recebe parte dos recursos federais destinados à saúde bucal por não contar com auxiliares ou técnicos em todas as equipes, situação que deverá ser corrigida com a realização de concurso público.

Pronto Atendimento registra mais de 12 mil consultas

O Pronto Atendimento (PAN) realizou 12.114 consultas de urgência e emergência e mais de 37 mil procedimentos no quadrimestre.

No mesmo período, foram registradas 190 transferências para outros municípios, sendo:

- 132 via Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU)

- 6 por transporte aéreo, em casos de alta complexidade

A secretaria reforçou que o PAN é destinado a urgências e emergências, como infartos e acidentes graves, e pediu que a população utilize as UBSs para atendimentos de rotina, evitando sobrecarga.

Como medida de organização, estão sendo implementados Protocolos Operacionais Padrão (POPs), com o objetivo de padronizar fluxos, melhorar a comunicação interna e garantir maior eficiência no atendimento, independentemente do servidor de plantão.

Absenteísmo é principal desafio

Um dos pontos que mais preocupam a gestão é o alto índice de faltas em consultas e exames agendados.

Na Atenção Primária, foram registradas 2.779 faltas no quadrimestre. Já em consultas especializadas e procedimentos fora do município, o número chegou a 968 ausências.

Segundo a secretaria, o absenteísmo compromete vagas em especialidades raras, como cardiopediatria e endocrinologia pediátrica, dificulta a reorganização da fila de espera, gera desperdício de transporte e recursos públicos e impacta pacientes de alto risco que aguardam atendimento.

A orientação é que, caso o paciente não possa comparecer, comunique a secretaria com pelo menos 24 horas de antecedência, possibilitando o remanejamento da vaga sem prejuízo na posição da fila.

A secretária de Saúde, Fernanda Martins, avaliou a audiência como positiva e ressaltou que o principal desafio atualmente é reduzir o número de faltas. “Precisamos da colaboração da população. Quando alguém falta e não avisa, outra pessoa que poderia ser atendida acaba prejudicada. Nosso objetivo é melhorar o fluxo e garantir que as vagas sejam plenamente utilizadas”, destacou.

Vigilância reforça combate à dengue e escorpiões

Na área de Vigilância em Saúde, foram eliminados 15.727 possíveis criadouros na zona urbana e rural.

A equipe ambiental destacou ações permanentes de combate à dengue e anunciou buscas ativas contra escorpiões nos dias 4 e 5 de março, com foco no cemitério e áreas próximas.

A Vigilância Epidemiológica também monitora casos de sífilis e dengue, além de reforçar a importância da vacinação para evitar o retorno de doenças já controladas.

Planejamento para 2026: CAPS e concurso público

Entre as principais metas para 2026 está a implantação do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), com estrutura prevista na Avenida Getúlio Vargas. A formalização do serviço permitirá a captação de recursos estaduais e federais e ampliará o atendimento em saúde mental, com projetos de reinserção social.

Também está previsto concurso público para:

- Farmacêutico para o distrito de Santa Rita

- Auxiliares ou técnicos de saúde bucal

Além disso, a secretaria pretende realizar pré-conferências nos bairros e distritos, culminando na conferência municipal de saúde, ampliando o diálogo com a população e incorporando as demandas comunitárias ao planejamento.

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Participação popular e ouvidoria

A presidente da Comissão de Educação, Cultura, Saúde e Assistência Social, vereadora Lourenço da Silva (Lorinha), avaliou como positiva a audiência pública, mas destacou a baixa participação popular. “É fundamental que a comunidade acompanhe esses números e participe mais ativamente das discussões, pois a saúde é uma pauta que impacta diretamente a vida de todos”, afirmou.

A gestão reforçou a importância dos canais de ouvidoria, telefone, WhatsApp 44 3645-8346, site www.terraroxa.pr.gov.br/autoatendimento/servicos/ouvidoria-municipal ou ainda  atendimento presencial, como instrumentos para registrar reclamações, sugestões e corrigir falhas de fluxo.

Segundo a Secretaria, os números demonstram que o município apresenta investimento elevado e grande volume de atendimentos, mas o avanço da qualidade do serviço depende também da colaboração da população, especialmente no comparecimento às consultas e na participação ativa nas decisões da saúde pública.

FONTE/CRÉDITOS: Tiago Centena - Portal T7