Um estudo abrangente com mais de 2,5 milhões de indivíduos revelou que a vacinação contra o vírus sincicial respiratório (VSR) em idosos está associada a uma notável redução de 75,6% nas hospitalizações decorrentes da infecção.

Adicionalmente, idosos vacinados que necessitaram de internação após contrair o VSR apresentaram uma diminuição de 63,1% em eventos cardiovasculares graves, como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC). O risco de agravamento de comorbidades preexistentes, incluindo asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), diabetes e doença renal, também foi significativamente menor.

A pesquisa comparou dados de saúde de aproximadamente 520 mil pessoas vacinadas com o imunizante Arexvy a um grupo controle de mais de 2 milhões de indivíduos não vacinados nos Estados Unidos. A análise abrangeu o período de agosto de 2023 a maio de 2024, após a aplicação de ponderações estatísticas para garantir a comparabilidade dos grupos.

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Durante os nove meses de observação, o grupo vacinado não apenas registrou menos internações gerais por VSR, mas também apresentou uma redução de 79,1% em hospitalizações por quadros graves e 66,8% em óbitos associados à doença.

Os resultados foram divulgados pela farmacêutica GSK, responsável pela produção da vacina, durante a Conferência da Respiratory Syncytial Virus Foundation deste ano. A empresa enfatiza que esses dados do "mundo real" corroboram a eficácia do imunizante, já evidenciada em ensaios clínicos prévios.

O VSR é amplamente reconhecido como o principal agente etiológico da bronquiolite em lactentes. No entanto, o vírus também pode acometer idosos de forma severa, conforme explica o cardiologista José Carlos Zanon, membro do Departamento de Cardiogeriatria da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Imunossenescência e riscos em idosos

"Com o avanço da idade, o sistema imunológico passa por um processo de imunossenescência, resultando em uma resposta diminuída a diversas infecções. Isso predispõe a quadros clínicos mais graves e, inclusive, a uma taxa de mortalidade percentual pelo VSR superior à observada em crianças", detalha Zanon.

Dados recentes da plataforma Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), indicam que, no primeiro semestre de 2024, o VSR foi responsável por 38,1% dos casos e 11,5% das mortes por síndrome respiratória aguda grave com diagnóstico viral confirmado. Os idosos representam o segundo grupo mais afetado, logo após crianças menores de 2 anos.

A incidência de casos tende a aumentar sazonalmente. Em junho de 2024, por exemplo, os casos graves de VSR superaram 50% daqueles comprovadamente causados por outros vírus respiratórios.

Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, aponta que a expansão do diagnóstico tem permitido ao sistema de saúde reconhecer a relevância do VSR como um agente causador de doenças respiratórias graves também na população idosa.

"Diversos estudos demonstram que a hospitalização por VSR pode ser mais prolongada do que pela influenza (gripe), com um risco de morte associado significativamente maior, especialmente em indivíduos com condições cardiovasculares e pulmonares crônicas", acrescenta.

Impacto sistêmico do VSR

O cardiologista José Carlos Zanon ressalta que, além de afetar diretamente as vias respiratórias, o VSR desencadeia uma "cascata inflamatória" sistêmica. Essa resposta inflamatória pode descompensar doenças preexistentes, como o diabetes, e até mesmo levar a eventos cardiovasculares agudos e derrames.

No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a vacinação contra o VSR exclusivamente para gestantes, visando a proteção dos recém-nascidos. Contudo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já aprovou dois imunizantes para uso em adultos, que estão disponíveis na rede privada.

A Sociedade Brasileira de Imunizações recomenda a vacinação para todos os idosos acima de 70 anos. Para indivíduos entre 60 e 70 anos, a vacina é indicada para aqueles com fatores de risco para formas graves da doença.

Adicionalmente, o imunizante é recomendado para todos os adultos com comprometimento imunológico.

FONTE/CRÉDITOS: Portal T7 com EBC