As bets provocaram uma grave crise social e financeira no Brasil, resultando em endividamento em massa e problemas severos de saúde mental. A proibição das operações dessas empresas de apostas online traz alívio para quem perdeu bens e empregos devido ao vício.

Kaio, de 42 anos, é um dos afetados. Ele perdeu o carro, a casa e o emprego após acumular dívidas com jogos. Afastado da família por temer agiotas, ele buscou tratamento em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) em Goiás, onde participa de grupos terapêuticos e faz uso de medicação.

Aprovação e falta de regras

A Medida Provisória que proibiu as bets foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A medida revogou trechos da Lei 13.756, aprovada em dezembro de 2018, no final do governo de Michel Temer.

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Embora aprovadas em 2018, as plataformas só ganharam regulamentação em dezembro de 2023. Isso significa que funcionaram sem regras rígidas por cinco anos, período em que operaram livres de exigências claras de advertência aos usuários.

Impacto financeiro e vulnerabilidade

A psiquiatra Katia Branco, do Hospital das Clínicas de São Paulo, aponta que pessoas vulneráveis foram o principal alvo de propagandas enganosas. Os anúncios induziam à falsa ideia de que os jogos funcionavam como complemento de renda.

Apenas no último ano, as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as bets, conforme dados do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz). As transações via Pix movimentaram quase R$ 351 bilhões no mesmo intervalo.

Riscos de suicídio e apoio

Especialistas alertam para o aumento de sinais de desesperança e ideação suicida entre apostadores. Profissionais de saúde recomendam que familiares fiquem atentos a mudanças drásticas de comportamento e busquem suporte psicológico imediato.

O Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou teleatendimentos, e o Ministério da Saúde planeja ações de busca ativa para oferecer acompanhamento aos jogadores compulsivos identificados por meio de cruzamento de dados governamentais.

Para ler mais reportagens especiais sobre o assunto, acesse a cobertura completa da Agência Brasil.

*Nomes fictícios a pedido dos entrevistados

FONTE/CRÉDITOS: Portal T7 com EBC