Nesta segunda-feira (21), data em que se celebra o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, diversas iniciativas no Brasil reforçam a importância da luta contra o capacitismo por meio da arte e do esporte. Histórias de superação mostram como barreiras sociais e preconceitos são diariamente desafiados por cidadãos que buscam autonomia e reconhecimento em suas áreas de atuação.

A fotografia sob uma nova perspectiva

O fotógrafo mineiro Luciano Ambrósio, de 57 anos, morador de Ceilândia (DF), encontrou na fotografia uma nova forma de expressão após perder a visão aos 24 anos. Ele utiliza um software de voz e referências sensoriais, como texturas e sons, para capturar o cotidiano sob ângulos surpreendentes.

Prestes a lançar seu primeiro livro independente, intitulado 'Meu olhar', Luciano reúne 100 poesias e imagens que traduzem sua percepção do mundo. 'Eu sei muito bem o que é beleza visual. Isso ainda está guardado no meu cérebro', afirma o fotógrafo, que conta com o apoio constante de sua esposa, Edna Teodoro.

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Edna relata que, apesar do otimismo de Luciano, eles ainda enfrentam episódios frequentes de preconceito no dia a dia. Ela relembra momentos em que terceiros ignoram a autonomia do marido, ressaltando a necessidade urgente de conscientização social sobre as reais capacidades das pessoas com deficiência.

Moda e protesto contra a hostilidade virtual

A estilista goiana Juliana Santos, de 40 anos, radicada em São Paulo, transformou sua dor em manifesto. Após sofrer graves ataques virtuais direcionados à sua condição física, que resultaram em perdas financeiras e cancelamentos de contratos, ela decidiu protestar utilizando sua própria arte.

Vítima de um incêndio na infância que causou a perda dos dedos das mãos, Juliana apresentará um vestido confeccionado com estampas de 200 comentários ofensivos que recebeu na internet. Ela busca não apenas reparação judicial, mas também provar que sua criatividade transcende qualquer limitação física.

Educação física inclusiva nas escolas

No Distrito Federal, a professora de educação física Carolina Belfort, de 40 anos, promove a inclusão por meio do movimento. Cadeirante desde a infância devido a um disparo acidental, ela incentiva seus alunos no Riacho Fundo a praticarem esportes e dança, combatendo o sedentarismo e o preconceito desde cedo.

Carolina adota uma postura aberta com os estudantes, incentivando perguntas sobre sua realidade para desmistificar a deficiência. 'Foram muitas batalhas porque o preconceito estrutural é forte. Eu tenho que me provar duas vezes', desabafa a docente, que planeja trabalhar futuramente com o estímulo de outras pessoas com deficiência.

Superação nas águas do esporte master

A arquivista e funcionária pública Daniela Francescutti, de 56 anos, brilha nas piscinas como atleta surda de natação master. Desde 2021, ela representa oficialmente o Distrito Federal em competições nacionais e recentemente conquistou três medalhas no Open Panamericano, realizado no Equador.

Para Daniela, a prática esportiva vai muito além dos pódios, funcionando como um verdadeiro refúgio mental. A rotina intensa de treinos e a busca por um estilo de vida saudável transformaram sua relação com o corpo e com a mente, consolidando a natação como seu templo de paz.

A urgência do letramento social

Isadora Nascimento, secretária nacional dos direitos da pessoa com deficiência, defende a urgência de um letramento social para combater preconceitos estruturais. Segundo a secretária, termos comuns ainda são usados de forma pejorativa, o que exige campanhas educativas contínuas e debates profundos dentro das salas de aula brasileiras.

Isadora destaca ainda que marcadores sociais, como raça e gênero, tornam a exclusão ainda mais severa. Para ela, mapear essas interseccionalidades é fundamental para o desenvolvimento de políticas públicas eficazes que garantam direitos iguais e ampliem as oportunidades de inclusão em todo o país.

FONTE/CRÉDITOS: Portal T7 com EBC